quinta-feira, 14 de abril de 2016

Tocando Ethan - Série: Fifty Nine Black Roses - Capítulo 1

Ethan

Quando você tem um dia de merda, apenas saia para tomar um ar fresco. Tente pensar em outra coisa que não seja em quantas maneiras você quer matar uma pessoa. Eu estava no meu limite esta tarde. Sair foi a melhor solução. Bem, isso foi até alguns minutos atrás quando descobri que estou perdido no meio do nada. Gato está andando na minha frente tão perdido quanto eu. Começo a me arrepender de ter saído do hotel. Isso com certeza não foi uma boa ideia.
Morrer em uma estrada vazia não era o jeito que eu me imaginava morrendo. A morte perfeita seria nos braços de uma bela mulher, depois de ter feito o sexo mais selvagem. Ambos suados e ofegantes. Mas não com nenhuma garota aleatória. Eu espero que seja "A Garota", ou como meu irmão sempre diz, eu preciso encontrar a minha Scarlett o'hara.
Foi então que ouvi um som de um carro se aproximando, olho em direção ao barulho e os faróis me cegam por um momento. A julgar pelo barulho esse carro está em seus últimos dias. O motorista estaciona a picape preta tão velha e desgastada que acho um milagre ela continuar andando.
É ainda mais milagroso o que acontece assim que meus olhos encontram com o dela. É como se eles fossem feitos para olharem para essa garota. Algo me puxou tão violentamente em direção a ela que tenho certeza que acabei de encontrar "A minha Garota".
— Você aceita uma carona? – foi a primeira coisa que ela disse quando nos conhecemos.
Eu já havia visto muitas mulheres em minha vida. As mais belas modelos e atrizes. Fãs talvez, mas nada havia me preparado para a garota que estava sentada no banco do motorista. Cabelos loiros amarrados em um rabo de cavalo frouxo, algumas mechas rebeldes caindo em seus olhos. Olhos que eu não sabia qual a cor, mas que me senti obcecado para descobrir. Seria possível que aquela conversa de amor a primeira vista fosse real? Em toda minha vida nenhuma mulher me afetou assim. E eu acabei de conhecê-la. Percebo que estou ali parado a encarando e provavelmente com uma cara de bobo. Bem, eu, com certeza, mereço o prêmio.
— Estou com o cachorro. Não quero sujar seu carro – essa foi a primeira coisa que disse a ela. Minha voz sai um pouco rouca e eu não me reconheço no momento.
Ainda bem que Denny não está por perto, ele, com certeza, daria grande audiência ao assunto.
— Não tem problema. Sempre levo meu cachorro aqui dentro. Bem, ele não é bem o meu cachorro, mas ele sempre aparece no meu quintal e me acompanha. Então, isso faz dele um pouco meu – ela sorri. – Estou falando demais, por favor entre.
Eu entro em sua picape e fecho a porta.
— Eu gosto de garotas que falam demais.
Não de todas. Apenas ela no momento.
— Você diz isso porque não passa o dia inteiro comigo.
— Eu acho que gostaria disso.
Eu gostaria muito mesmo. O que está errado comigo?
— Por que eu acho que conheço você? – ela ignora o meu flerte. E isso me faz gostar ainda mais dela. E o fato dela não saber quem sou é ainda mais cativante.
Geralmente é nessa hora que elas começam a gritar. Mas ela não parece esse tipo de garota.
Ela é diferente. De um jeito bom.
— Sou Ethan Lancaster.
— Você é aquele cantor daquela banda nova que me esqueci o nome? Desculpe. Minha memória é um caso perdido.
— Sim, FNBR. E me parece que você não é uma fã.
— Não faça essa cara. Fique tranquilo que não vou te atacar ou qualquer coisa parecida. Não me leve a mal, mas eu não sou uma fã. Pelo menos não uma daquelas malucas que te prenderiam em um porão e você nunca mais veria a luz do dia – ela volta a olhar a estrada. – Eu gosto das suas músicas e até conheço algumas, mas nada que me considere uma fã maluca – ela volta a me olhar e sorri. – Não vou sequestrar você.
E pela primeira vez suspiro aliviado, não é como se eu não gostasse de mulheres se jogando em cima de mim e gritando meu nome. Eu, pelo menos, espero estar em uma cama com ela nua e suada embaixo de mim, só então eu aceito que ela grite meu nome.
— Me diga seu endereço – ela pede.
— Eu... Não....
— Já disse que não vou te atacar. Também não vou entregar seu endereço para a imprensa ou vou ficar te perseguindo. Eu sou uma "não fã", lembra-se?
— Talvez eu queira que você me persiga – brinco. – Seria divertido.
— Talvez eu mande minha amiga Katie atrás de você. Ela é super fã da sua banda.
— Essa eu passo, estou cheio de garotas se jogando aos meus pés e me pedindo em casamento. Você acaba se cansando com o tempo.
— Pobrezinho, isso deve ser uma coisa horrível.
— Você pode não acreditar mas uma hora você cansa das mulheres que vem fácil demais. Sou um cara que gosta de desafios. Quero uma garota que me olhe como sou. Quero ser apenas o Ethan e não o vocalista da FNBR.
— O que um cara como você está fazendo andando a pé no meio da noite?
— Poderia te fazer a mesma pergunta – jogo de volta. – Uma garota no meio da noite dando carona a um desconhecido. Eu poderia ser um assassino estuprador.
— Eu estou saindo do trabalho – ela ignora meu comentário.
— Onde você trabalha?
— Não vou responder sua pergunta se você não responder a minha.
— Eu apenas sai para espairecer. Muita coisa acontecendo no momento e eu não estava com vontade de ouvir meu empresário me enchendo o saco.
— Aqui é um pouco perigoso durante a noite. Não deveria sair sozinho. Eu com certeza não deveria ter te oferecido carona mas você parecia inofensivo.
— Devo me sentir ofendido?
— Não – ela sorri e eu me aqueço. – Eu quero dizer que você parecia perdido e até mesmo triste.
— Digamos que eu realmente estava perdido.
— Você me entendeu – ela faz o retorno na estrada. – Mas não deve sair andando pela estrada a essa hora da noite. Você nem conhece o lugar.
— Por isso eu trouxe o cachorro.
— Qual o nome dele?
— Cat.
— Espera – ela ri. – O nome do seu cachorro é Cat?
— Sim.
— Posso perguntar porquê?
— Por nenhum motivo em especial – dou de ombros. – Ele tem a personalidade e a preguiça de um gato.
— Eu esperava algo como Rodger Waters ou David Grohl.
— Isso nem passou pela minha cabeça. Mas se eu tiver mais um cachorro vou usar esses nomes – Onde você trabalha? – pergunto novamente.
— Você é curioso – ela sorri para mim e volta sua atenção para a estrada novamente. – Você vai me dizer o seu endereço?
– Só quando você me disser onde trabalha.
— Talvez eu não queira dizer.
Ela está jogando comigo e eu estou adorando a experiência.
— Talvez eu não queira dizer meu endereço.
Eu quero prolongar isso o maior tempo possível. Não me sentia pronto para deixá-la ir. O que era muito estranho.
— Hey, eu sou a pessoa que está te dando carona. Acho que você não tem muita escolha.
— Talvez eu apenas queira ficar mais um tempo com você.
Ela me olha por alguns minutos e logo desvia sua atenção para estrada.
— Talvez eu apenas esteja cansada e queira ir para minha casa. Trabalhei o dia todo e tudo que consigo pensar é na minha cama.
— Poderíamos ir juntos para sua casa – provoco. – Poderíamos ir juntos para sua cama.
— Mantenha-se sonhando Lancaster.
— Sonhos se realizam.
— Você nem me conhece.
— Isso é verdade – percebo que não perguntei seu nome ao entrar, estava tão distraído com outras coisas. Isso nunca aconteceu antes. – Qual seu nome?
— Melody – ela hesita. Percebo na hora que ela está mentindo.
— Mentirosa.
— O quê? Meu nome é Melody.
— Você mente – continuo provocando. Nunca quis tanto saber o nome de uma garota. – Qual o seu nome?
— Talvez eu não queira dizer.
— Posso te chamar de Doçura então?
— Se você fizer isso eu chuto seu traseiro pela janela.
Não consigo impedir a gargalhada e me pego sorrindo depois de um dia de merda.
Ela é fascinante.
— Então me diz seu nome gracinha.
— Audrey Reys, satisfeito? – ela está com raiva. – Nada de Doçura ou gracinha. E se você tem amor a vida nunca me chame de benzinho.
— Talvez amorzinho?
— Olha só, acho que você está na profissão errada. Você faria mais dinheiro em um circo.
— Gosto de você.
— Tem noção de quantas vezes ao dia escuto isso de algum cara bêbado? E você ainda não me disse seu endereço.
— Eu digo se você aceitar ir ao meu show amanhã como minha convidada.
— Eu trabalho.
— Aposto que sua amiga adoraria ir ao show e conhecer a banda.
— Ela não precisa saber que te encontrei. Aliás, ela nunca vai acreditar que eu dei carona para Ethan Lancaster.
— Então vamos ficar rodando por toda a cidade.
— Eu posso simplesmente te deixar na estrada.
— Quero ver você conseguir me tirar do carro.
— Você é muito folgado.
— E você é muito difícil. Qual é? Milhares de garotas iriam se matar por essa oportunidade e você está jogando pela janela.
— Literalmente.
— Você vai ao show?
— Não.
— Me diga algo sobre você.
— Eu não vou fazer o jogo das vinte perguntas com você. Agora me diga o seu endereço ou saia do meu carro.
O telefone dela começa a tocar e eu vejo o nome Katie na tela. O momento não poderia ser mais perfeito. Consigo pegar o celular antes dela e atendo rapidamente.
— Me devolve isso – ela para o carro no acostamento e tenta pegar o celular de minhas mãos. – Isso não tem graça, Lancaster.
— Audrey posso saber onde você está?
— Audrey está comigo.
— Quem é você? Onde está Audrey?
— Pensei que como minha fã você reconheceria minha voz.
A linha fica muda por uns segundo e de repente escuto um grito estridente do outro lado. Afasto o telefone com medo de ficar surdo. Ela definitivamente é uma fã.
— OH.MEU.DEUS!!!
— Me entrega esse celular – Audrey tenta mais uma vez pegar seu telefone. – Seu bastardo, eu vou chutar sua bunda para fora do meu carro.
— Eu convidei sua amiga e você para meu show amanhã, mas parece que ela não quer ir. Inventou uma desculpa que precisa trabalhar.
— Ela está de folga amanhã. Eu quero muito ir nesse show, os ingressos esgotaram tão rapidamente.
— Convença sua amiga e eu te dou duas entradas VIP para os bastidores. Aposto que você quer conhecer os caras.
— Isso é sério?
— Sim.
— Obrigada. Eu nem estou acreditando – eu desligo o telefone antes que ela comece a gritar outra vez. Audrey está furiosa
— Você é idiota e sem educação.
— Island House Hotel, por favor.
— Eu deveria simplesmente te chutar do meu carro.
Eu apenas sorrio e isso a deixa ainda mais furiosa... e incrivelmente sexy. Escuto ela resmungar algo que soa como "idiota" e "babaca"Logo em seguida ela liga o som e a voz de Bruno Mars ecoa pelo carro. E depois disso não falamos mais nada até ela me deixar em frente ao meu hotel.
— Te vejo em breve, Doçura.
Digo para mim mesmo quando vejo o carro dela sumir na estrada.


Audrey

Eu estava cansada de ouvir minha amiga fanática tagarelando sobre Ethan Lancaster pela tarde inteira. Eu realmente deveria matar Ethan por ter convidado Katie para esse maldito show. Ela simplesmente não para um só minuto de falar nisso. Eu seria uma amiga ruim se jogasse ela para fora do meu trailer?
— Você deveria estar feliz. Qualquer garota com sangue quente gostaria de estar em seu lugar nesse momento.
— Bem, você pode escolher qualquer garota para ir com você nesse show.
— Ethan foi bem claro que quer você no show.
— Eu não estou nem ai para o que Ethan quer. O que ele quer não me interessa. Ele é um idiota sem educação e que eu espero não ver nunca mais.
— O que rolou entre vocês? Como foi que se encontraram?
— Não rolou nada entre nós e eu apenas tive uma ideia idiota de oferecer carona para um idiota, que usa minha amiga para me fazer ir a um show idiota. Eu tenho que pensar antes de praticar a boa ação. Definitivamente estou pensando em mandar o idiota para o inferno se eu o ver novamente. Isso sim seria uma boa ação.
— Tem muito idiota nessa frase – ela sorri. – A última vez que ouvi você dizer tanto essa palavra foi quando o Peter " o bêbado" passou a mão na sua bunda.
— Isso define Ethan Lancaster.
— Você não pode estar falando sério – ela me olha como se eu fosse um ser de outro planeta. – Ethan Lancaster é o cara mais quente da Fifty Nine. Foi eleito o cara mais sexy do ano.
— Prefiro o Brad Pitt.
Mentira. Uma só noite que eu vi Ethan, ele não saí da minha cabeça. Ele faz o Brad Pitt parecer apenas mais um cara no mundo.
Maldito seja Ethan Lancaster.
— Você realmente é louca. O cara está a fim de você, não percebe?
— Não viaja, eu apenas ofereci uma carona para ele – retruco. – Isso não quer dizer nada. Pare de assistir a esses filmes românticos.
— E ele te convidou para ir ao show dele – ela continua pontuando.
— Ele deve fazer isso para todas as garotas do mundo. E ele jogou sujo usando você.
— Ele quer você.
— Ele pensa que só porque é uma estrela do rock qualquer garota do planeta se jogará aos pés dele.
— Se ele me quisesse pode ter certeza que me jogaria aos pés dele.
Por que isso me deixou irritada?
— Então tenha uma boa sorte essa noite.
— Ele quer você – ela repete. – Audrey não seja uma vaca.
— Ele não me terá.
— Você não vai ao show?
— Não. Mas divirta-se.
— Audrey pare de ser tão chata, você precisa sair e se divertir. Você trabalha demais e nunca sai desse maldito trailer.
— Eu tenho coisas melhores para fazer.
— Tipo o quê? Assistir CSI e ficar suspirando por Nick Stokes? Ou assistir Grey's Anatomy? Você realmente precisa arrumar um namorado.
— Amiga, você irá se atrasar para o show.
— O que eu digo se ele perguntar por você? – ela pergunta irritada.
— Ele nem deve mais se lembrar de mim.
— Aposto que lembra.
— Okay, se ele perguntar diga que eu tinha coisas melhores para fazer do que ter um monte de gente suada se esfregando em mim ao som ensurdecedor de Fifty Nine.
— Você ainda irá se arrepender.
— Não vou não. Agora como você mesma lembrou, Nick Stockes me espera.
Eu espero ela sair e pego meu pote de sorvete e sento no meu velho sofá cheio de remendos para continuar minha maratona CSI. E procuro não pensar no homem gostoso que não sai da minha cabeça.


oOo

Acordo assustada com as batidas em minha porta, me sento ainda sonolenta e olho para meu despertador. São duas horas da manhã. Quem diabos bate na porta de alguém a essa hora? Pego um taco de beisebol que eu deixo estrategicamente perto da minha porta.
— Quem é?
— Hey Doçura, abre essa porta. Meu traseiro está congelando aqui fora.
Ethan Lancaster.
Mas que diabos esse homem está fazendo aqui?
— Tenho duas perguntas muito importantes para você – digo assim que abro a porta. – Primeira, o que você está fazendo aqui? E segundo, como você sabe meu endereço?
— Isso é para mim? – ele aponta para o taco em minha mão. – Não sabia que você era selvagem baby, acho que me apaixonei por você perdidamente – ele passa por mim entrando em meu minúsculo trailer. Se joga em meu sofá e começa a comer meu salgadinho.
Que folgado.
— Sinta-se em casa – resmungo.
— Você é um amor – ele sorri. – O que vamos assistir?
— O que você está fazendo aqui?
— Se Maomé não vai até a montanha...
— Você não tem coisa melhor para fazer? Uma supermodelo para pegar?
— Não fique com ciúmes baby, sou todo seu. E estou muito magoado com você – ele faz bico. – Me prometeu que iria ao meu show.
— Eu não prometi nada.
— Eu até cantei uma música para você.
— Cantou?
Isso me pega de surpresa.
— A nossa primeira música.
— De que merda você está falando?
— Poxa, assim eu fico magoado. Cantei Grenade especialmente para você.
— Essa música fala sobre uma mulher que traiu o namorado. Onde me encaixo nisso?
E então ele faz uma coisa que me surpreende completamente. Começa a cantar Grenade para mim. Seu olhos não me deixam um só minuto e eu me esqueço de respirar por um momento. Sua voz rouca faz as borboletas preguiçosas em meu estômago alçar voo. Ethan me deixa de guarda baixa. E isso me pegou totalmente desprevenida.
— Você me faz entrar em curto circuito, baby – eu percebo tarde demais suas intenções.
Seus lábios descem aos meus como um homem sedendo. Como se eu fosse o último copo de água no meio do deserto. Me beija como se eu fosse desaparecer a qualquer minuto. E eu cedo. Droga. Nem ao menos tento resistir. Não tem como resistir a Ethan Lancaster. Eu queria secretamente, bem lá no fundo, que ele fizesse isso. Me pego gemendo quando sua língua invade a minha boca e tudo o que quero é ele dentro de mim de todas as maneiras possíveis. E dane-se se eu acabei de conhecê-lo. Se isso faz de mim uma vadia no momento eu não estou me importando com isso.
Dane-se a regra de não fazer sexo no primeiro encontro. Isso nem pode ser considerado um encontro. Então a regra não vale.


Eu apenas deixo ele me conduzir nessa dança.

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